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Transformação digital, transformação em TI

Transformação Digital

Transformação digital, transformação em TI

A ideia de que as áreas de tecnologia da informação (TI) precisam ter visão de negócios já não é suficiente, é preciso antes de mais nada que esses mesmos times ultrapassem a fronteira das funções ou áreas organizacionais e comecem a liderar a transformação digital dentro das organizações, assumindo a mentalidade e atitude empreendedora.

A tecnologia sempre evoca pensamentos ligados à inovação, avanço, evolução, novidades, ruptura, dentre outros. Por trás desse pensamento, na realidade, está a suposição que a disciplina de TI tem ganho grande relevância ao longo do tempo e, portanto, alto valor estratégico. É, obviamente, algo razoável e até intuitivo desse fator ser assumido como premissa fundamental dentro das organizações. Entretanto, é sabido que essa ideia não se sustenta.

O que torna um recurso estratégico — entendido como a capacidade de gerar vantagens competitivas e diferenciais — não é a soberania e vasta adoção, mas a escassez. Como é amplamente debatido — e quase consenso — a vantagem competitiva é obtida em se fazer algo diferente dos demais. Portanto, o dilema que se apresenta é que não aderir a uma certa tecnologia representa correr o risco de ficar estagnado perante clientes e competidores. No entanto, aderir a uma determinada tecnologia pode criar o efeito de apenas se igualar às ofertas já existentes no mercado. Por fim, escolher uma tecnologia diferente pode incorrer em riscos maiores que o próprio benefício potencial. Pois bem, esse dilema começa a se resolver quando olhamos a TI para além de sua própria atuação.

A visão sobre a área de TI deve ser ajustada de fora para dentro das organizações e não ao contrário. Gary Hamel, em seu livro, (“The future of management, 2007) estabelece um pressuposto interessante na perspectiva de gestão organizacional. O autor alega que a gestão está desatualizada por ser uma tecnologia que parou de evoluir tal qual o motor a combustão. O motivo, continua o autor, é devido ao fato que gestão, enquanto capacidade de mobilizar recursos, planejar, programar atividades e estimular o esforço é fundamental para alcançar um propósito e quando esse composto é menos eficaz do que deveria ser, ou precisa ser, o preço a ser pago é alto.

Uma das formas de verificar o preço alto que as organizações estão pagando é entender a dinâmica de como as mesmas estão se ajustando à realidade da transformação digital que as cercam. Os modelos de negócios estão cada vez mais sendo desafiados pelo problema sem precedentes que é lidar com as rápidas mudanças no ambiente, mais especificamente, com a explosão de dados oriundos da rede de relacionamento entre entidades (fornecedores, clientes, aliados, reguladores, governo, dentre outros). À medida que o desafio se apresenta com alta velocidade, a lógica que se assume é a de que o problema a ser resolvido é, em essência, digital, tornando imperativo que a área de TI enderece da melhor solução possível.

Nesse ponto, as organizações passam a colocar TI no centro da questão e resolver o problema dos dados e transações digitais se torna um fator tecnológico prioritário antes mesmo de se questionar e endereçar o que de fato precisa ser resolvido na perspectiva do negócio ou mercado. Essa lógica é que faz com que a TI adote ferramentas conhecidas de mercado, de forma conservadora, perdendo, assim, a oportunidade de se diferenciar. Entretanto, essa dinâmica traz ainda mais demandas e, por consequência, as áreas de TI, seguindo a mesma lógica, passam a ver o backlog crescendo com uma baixa produtividade nas resoluções, mantendo os modelos tradicionais, não contribuindo, portanto, para geração de vantagens competitivas. Por outro lado, as demandas oriundas de negócios são alvo de inúmeras tentativas de resolução através de ferramentas tradicionais, padrão e muitas vezes dependentes de especialistas externos e, igualmente, falham em dar respostas rápidas e oportunas.

A questão fundamental, portanto, é definir a melhor perspectiva para resolver esse dilema e destravar as organizações para sua jornada de transformação digital. Uma das maneiras fomentadas por várias iniciativas ao redor do mundo é a de se assumir a visão e postura empreendedora. Pode-se chamar de ruptura ou qualquer outro termo, mas ideia, em essência, é unir um alto grau de autonomia a uma alta capacidade de customização, ou de outra forma, resolver um problema único de formas diferentes, portanto, autônomas. O racional pode ser observado no quadrante teórico abaixo.

Imagem: L’homme qui marche, Luigi Honorat | Instagram: @luigihonorat

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