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Transformação digital, transformação em modelos de negócios

Inovação

Transformação digital, transformação em modelos de negócios

Por André Almeida, CEO na Dom Rock

A economia do recurso escasso pressupõe a disputa por ativos enquanto a economia digital pressupõe lidar com a abundância. Esse contraste, por si só, implica que a transformação digital impõe, no mínimo, a necessidade de rever o pensamento de modelos de negócios.

A questão de modelo de negócios pode ser amplamente discutida, mas a pretensão aqui é refletir sobre algumas perspectivas sob a ótica econômica influenciada pela tecnologia e gestão organizacional.

A origem da discussão é a formação de ativos econômicos. A forte evidência é a realidade de soluções e ofertas que vão na direção dos chamados ativos intangíveis. Isso, por si só, implica que o investimento em tais ativos, na realidade, são considerados irrecuperáveis visto que no caso de falha não há nada a ser recuperado. Bem diferente do modelo tradicional em que os ativos tangíveis como máquinas, equipamentos, imóveis, dentre outros, estão sujeitos a recuperação mediante depreciação através de mercados e instrumentos específicos. Dentro da ordem econômica tradicional, portanto, os modelos de financiamento de ideias e inovação requer, consequentemente, outra metodologia, daí o crescente envolvimento dos chamados capitais de risco e o fator da abundância, ao contrário da escassez, sob a perspectiva econômica.

Outro aspecto relevante é a formação de setores e ofertas nesse espaço digital. A transformação digital é interconectada com a transformação econômica cuja observação de saber qual fator é causa e qual é consequência impõe por si só, independente de qualquer ângulo ou conclusão, a realidade de que se trata de uma nova ordem econômica. Basta observar o mapa competitivo de ofertas em setores emergentes e constatar que é muito mais provável que tais ofertas tenham o papel de acrescentar valor ao ecossistema do que simplesmente ser compatível com ele. A questão que se apresenta é muito mais de ordem colaborativa e complemento de um ecossistema dinâmico e em constante formação ao invés da rivalidade direta e tradicional. Dessa forma, surge, também movimentos de mapear ecossistemas e promover a integração adequada entre várias soluções. Consolidação é parte do jogo também, mas abre espaço para novos ecossistemas e, essa nova dinâmica, impõe, necessariamente a condição de empresas como um todo rever seu modelo de negócio uma vez que as alavancas de vantagem competitiva podem (certamente serão) estar relacionadas a soluções inovadoras. Portanto, se empresas mantiverem o modelo tradicional de planejamento e sustentação de vantagens competitivas, falharão ao tentar adotar a inovação como principio. Por outro lado, observar as lacunas estratégicas e adotar a visão de ecossistema onde a empresa faz parte (e não simplesmente é servida por fornecedores) é um caminho bastante promissor de transformação nos negócios pela era digital.

A transformação digital, portanto, implica em transformar o modelo organizacional e ter resultados de inovação como consequência e não como objetivo. E nesse contexto, se organizações admitem geração de valor por ecossistemas que, por sua vez, tem como alicerce a colaboração, então, tais organizações necessitam operar da mesma forma, ou seja, igualmente baseado na colaboração interna. Eis o desafio.

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