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Dados, design e desafios

Design

Dados, design e desafios

Por Fabio De Almeida, Head of Design na Dom Rock

Viver numa era em que tudo pode ser consumido com olhos e fazer parte de uma geração que cresceu vendo pessoas agitadas acompanhando a avalanche de números, índices e gráficos nas movimentadas telas da Bloomberg, nos faz crer na ideia de que o mundo dos negócios visualmente se mostra como algo abstrato, acelerado e caótico, onde treinar o cérebro para acompanhar todo um fluxo de informações requer habilidade especial de quem vive nesse habitat.

Seu salário no final do mês, suas compras, seus investimentos e qualquer outra transação comercial e financeira atualmente se apresenta como pura virtualidade, e se levamos em consideração que nunca na história da humanidade produzimos tanto dados e que as tecnologias nunca evoluíram tão rápido, é fácil concluir que acompanhar a dinâmica dos dados que impactam diariamente não só nossas vidas, mas também o mundo dos negócios, é como assistir o pregão da Dow Jones no modo fast forward.

Metáforas a parte, a ideia é que num cenário onde tudo pode, potencialmente, ser visualizado e analisado a qualquer instante, faz com que a disciplina do design da informação encontre atualmente os mais complexos e inspiradores desafios. E quando falamos dos dados relevantes para as dinâmicas dos negócios, a situação ganha ainda mais urgência.

Um primeiro desafio a ser observado é o da transparência. Nos últimos dois anos acompanhamos perplexos as notícias de nossos dados sendo vazados, manipulados e usados indevidamente, seja para afetar o resultados de eleições ou para ajudar grandes corporações a obterem vantagens específicas. Verdade é que todos esses eventos, somados à rápida evolução das tecnologias, fazem com que alguns prognósticos sejam realizados com o modo “Black Mirror” ativado. Dessa forma, ética se torna elemento mandatório para prática do design, pois cada vez mais é vital e imperativo que dados, análises e interações sejam acessíveis e reflitam de maneira transparente e responsável as práticas em que estão inseridas.

Ainda nesse contexto, outro desafio que se apresenta é o de como fazer com que as ferramentas de apoio às tomada de decisão se tornem cada vez mais personalizadas e aderentes às rotinas de quem conduz os negócios. Sabemos que os tradicionais editores de planilhas ainda dominam o mundo, tal qual o trigo ocupa a agricultura de todo o planeta. Independente do sucesso dessas ferramentas, o desafio que se apresenta é como explorar formas alternativas de visualização do fluxo de um negócio que vá além de tabelas e gráficos. Nesse cenário, como transformar dashboards complexos em componentes que permitem que o usuário seja mais criativo e ágil. Como explorar outros sentidos humanos para sumarizar informações relevantes de um negócio, abandonando as já saturadas lógicas e práticas de consumo de dados via ecrã?

Nesse caminho, também é importante lembrar que algoritmos inteligentes já estão transformando radicalmente a realidade das pessoas e das empresas. Nunca AI foi tão capaz de ampliar as capacidades humanas de modo que possamos compreender coisas além das limitações de nossos sentidos. Basta usar o UberEats que você consegue “ver” em tempo real como sua refeição chegará em casa, o trajeto escolhido, quem está levando, modelo e cor do veículo e até o quanto essa pessoa é querida pelos demais usuários. Assim como a revolução industrial proporcionou as arenas para que designers desenvolvessem a relação humano-máquina, hoje a tarefa é como ressignificar e harmonizar cada vez mais a relação humano-AI.

Resumindo, é muito bom poder acompanhar a evolução dos negócios nesse momento em que o digital e o físico se fundem, onde valores são cada vez mais necessários e principalmente onde humanos e outras formas de inteligência atuam em prol da nossa evolução. Melhor ainda é poder ver as disciplinas do design não só tomando as rédeas desses tempos, mas definitivamente criando as melhores formas de se contar essa história.

Imagem: Royji Ikeda | audiovisual installation, 2015 | foto: Martin Wagenhan

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